terça-feira, junho 29, 2010

Um homem ou uma mulher podem Amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

- Sim. sem dúvida nenhuma.


Porque Amar não se resume à necessidade física que se tem de alguém.
Amar é muito mais vasto do que fidelidade, sexo, companhia, companheirismo...
Amar é fazer coisas estúpidas, mas a Paixão também nos faz agir estupidamente, e depois há aqueles em que ser estúpido é um estado normal...
Amar é... sei lá, aceitação?

Aceitar alguém na nossa vida, com todos os seus defeitos, com todas as suas virtudes, e ir ao céu ou ao inferno por essas pessoas?
"Amarás" um filho e "amarás" outro?
E se eu Amar alguém pelo estímulo intelectual que me dá, sem ter nada a ver com sexo, com prazer carnal?

Não poderei Amar, de forma diferente, um outro alguém?
Amar aos 15, é menos "Amor" por depois crescermos e Amarmos aos 20, aos 30?

Ou é apenas uma demonstração diferente dum sentimento igual, devido ao nosso crescimento?

Resumindo:

No coração da gente cabe muita gente.

Porque mesmo esfarrapado, ferido, dorido, magoado, partido, quebrado, cheio de cicatrizes, é o único orgão suficientemente elástico para caberem todos os Amores da nossa vida.

segunda-feira, junho 21, 2010



Portugal, e toda a irmandade de lingua portuguesa,, foi informadada do falecimento de José Saramago.

Mas o que fez a Igreja Católica a José Saramago, num artigo recentemente publicado sobre a sua morte?
– Alimenta a desarmonia e julga de forma indiferente a memória dos homens.

Na verdade, não foi apenas a igreja católica, mais grave ainda, foi o comportamento que alguns homens que dizem representar o povo portuguese e as suas vontades, eu, não acredito nestes homens, pois eles, e uma vez mais não representaram a vontade de um povo.

Cavaco Silva, entre outros comportou-se como um bébé que faz birrrinha e que não consegue reconhecer o mérito de outro ser, ainda que não concorde com ele. No entanto, um povo que não sabe honrar os homens que luta pela liberdade, que ousam em pensar por si próprios, que ousam viver a viva à sua maneira, que ousam partilhar ideias, sonhos e sentimenots diversos de ideias, frases, sonhos e sentimentos formatados, nunca são reconhecidos pelos seus, apenas o tempo e a história que dará o reconhecimento merecido e justificado.

Um ser humano que pense por si, que analise, que tenha atitude na vida, não consegue perceber quais são os sentimentos profundos da Igreja de uma classe politica, qual a sua disposição e grandezas, mas a certeza que estas misérias são tão velhas e inválidas, confirmando a ausência de respeito pela diferença.
 
Um dia, acredito, que será feita justiça a Homens como Saramago e outros desconhecidos, que ousaram pensar, sonhar, viver, acreditar, amar com todas as emoções de um coração enorme.
 
A saramago e a outros Grandes homens e mulheres, resta-me dizer-lhes: muito obrigada por serem ousados, por seguirem os vossos corações, os vossos sentimentos, sois vós que dão e alimentam a esperança que um dia a Humanidade será muito melhor que tem sido até hoje, sois vós, que motivam outros a serem ousados no amor, na solideriedade, na amizade, em suma no HOMEM.
 
A todos vós, aos que já partiram aos que lutam todos os dias e aos que ainda estão para chegar, o meu muito obrigado. Precisamos de seres humanos assim.    

quinta-feira, junho 03, 2010

Clube Bilderberg





Bilderberg: Teixeira dos Santos e Paulo Rangel convidados para clube secreto. O ministro das Finanças e o eurodeputado do PSD vão ao encontro das elites políticas e financeiras internacionais.

Mudanças nos impostos ditadas por Teixeira dos Santos não são pacíficas.

Paulo Rangel cumpre a regra do segredo a que são obrigados os convidados do encontro anual do Clube Bilderberg, que decorre a partir de hoje e até domingo em Sitges, um dos mais importantes destinos turísticos da Costa de Barcelona, em Espanha.

O eurodeputado do PSD é um dos eleitos portugueses presentes este ano, tal como o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ambos indicados pelo presidente da Impresa e fundador do PSD, Francisco Pinto Balsemão.

 


Contactado ontem pelo i, Rangel apenas confirma que estará presente no selecto clube, que reúne chefes de Estado e de governo, mas também outros dirigentes políticos e empresariais de todo o mundo, com especial incidência na Europa, Estados Unidos e Canadá. O convite de Pinto Balsemão a Paulo Rangel coincidiu com as directas para a liderança do PSD, em Março deste ano.

O eurodeputado lembra a regra de sigilo de todos os convidados.



José Medeiros Ferreira é um histórico dos encontros. Como diz ao i, esteve presente em duas ocasiões, "primeiro em 1997, como ministro dos Negócios Estrangeiros; depois, por gentileza, em 1980". Medeiros Ferreira afasta as "teorias da conspiração" que correm na internet sobre as reuniões do clube Bilderberg - e que incluem até um livro sobre o assunto, com um nome que diz quase tudo: "Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo".

A regra do sigilo, explica o ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Constitucional, serve "para as pessoas falarem à vontade, sem a pressão da comunicação social ou as intoxicações da propaganda".



Medeiros Ferreira revela ao i, "pela primeira vez", que depois de estar presente no encontro, os responsáveis do Clube Bilderberg lhe pediram "uma lista de pessoas que correspondessem ao alto perfil desejado" e que pudessem ser mais tarde convidados. "Dei os nomes do dr. Balsemão e do professor Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros." Como é público, Francisco Balsemão é desde 1988 membro permanente do clube, para o qual convida todos os anos outros dois portugueses, quase sempre provenientes dos dois maiores partidos, PSD e PS.

No ano passado foram convidados o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e a então líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. António Barreto em 1992, Durão Barroso em 94, Joaquim Ferreira do Amaral em 99, António Guterres em 1995 ou Vítor Constâncio em 1988, são outros dos portugueses presentes a convite de Balsemão. Todos eles em ocasiões em que já ocupavam - ou estavam prestes a ocupar - altos cargos a nível nacional ou internacional.


Reservado o direito de admissão Mira Amaral já nem se lembra da data em que foi convidado "há 15 anos, ou mais, com a dra. Maria Carrilho do PS pelo dr. Balsemão" para um encontro do grupo Bilderberg. Mas era então ministro da Indústria de Cavaco Silva e participou em 1995, exactamente há 15 anos, quase no final do segundo governo, numa altura em que o primeiro-ministro mantinha ainda o célebre "tabu" sobre a sua primeira corrida a Belém, contra Jorge Sampaio.

Em declarações ao i, o economista compara os encontros anuais de Bilderberg com as cimeiras de Davos "mas à porta fechada". Por isso, acrescenta, "e só por isso é menos visível, mas não tem nada de conspirativo ou de secreto". Lembra-se que foi um "excelente encontro social num hotel e num palácio magnífico na Suíça".

Porém, não considera que faz parte do "grupo restrito das elites que se reúnem todos os anos. Se fizer parte de algum grupo, é do grupo de amigos do dr. Pinto Balsemão."


Apesar de contactado pelo i, o presidente da Impresa manteve-se indisponível até ao fecho desta edição.
 
Teorias da conspiração Não faltam teorias da conspiração sobre a influência deste grupo tão especial nos mais diversos acontecimentos nacionais e internacionais. Difundidas na internet sobretudo por grupos extremistas, à direita ou à esquerda, fala-se mesmo da "mão invisível" do Clube Bilderberg no 25 de Abril. O golpe de Estado que implantou a democracia em Portugal é referida também na cronologia da revolução realizada pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.


Na longa cronologia, escreve-se que no dia 19 de Abril de 1974 se realizou na localidade de Megève, em França, "a reunião anual do Clube de Bildelberg - clube em que tomam assento os mais influentes representantes da alta finança mundial". Ali, ainda segundo o relato, "estão presentes, entre outros, Joseph Luns, secretário-geral da NATO".


De acordo com o documento da Universidade de Coimbra, os convidados presentes em Megève, tomaram "conhecimento da iminência de alterações políticas em Portugal", decidindo "não contrariar a evolução dos acontecimentos", uma vez que acreditavam que "a mudança política poderia conduzir ao liberalismo económico". A presença do holandês Joseph Luns nessa reunião, sublinha-se, "poderá ter determinado o comportamento da NATO no desenrolar do golpe militar de Lisboa".


Mais recentemente, foram difundidas na internet queixas do autor do livro "Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo", dirigidas "a todos os bloggers portugueses a pedir ajuda".
 
Segundo Daniel Estulin, o livro estaria a ser perseguido e censurado em Portugal: "Têm medo que este se torne num fenómeno mundial. De facto, está a tornar-se num fenómeno mundial, uma vez que foi editado em 28 países e em 21 línguas." Mais: "Esta carta é um pedido de ajuda. Por favor enviem-na a qualquer pessoa disposta a lutar pela liberdade de expressão."

terça-feira, maio 25, 2010

terça-feira, maio 18, 2010

É Preciso Aprender a Amar

Que se passa para nós no domínio musical?
Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade — para o suportar, mau-grado a sua novidade — para admitir o seu aspecto, a sua expressão fisionómica — e de caridade — para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que já estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fiéis encantados que não pedem mais nada ao mundo, senão ele, ainda ele, sempre ele.

Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos.

A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade.

Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

sexta-feira, maio 07, 2010

O Crime compensa... ou não ?

Deputado do furto eleito conselheiro

Ricardo Rodrigues, o deputado socialista que furtou dois gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi ontem recebido com aplausos na reunião do grupo parlamentar e viu oficializada a sua nomeação como conselheiro do primeiro-ministro para as questões de segurança interna.

Numa resolução do Parlamento ontem publicada em Diário da República, Ricardo Rodrigues e José Pedro Aguiar-Branco (PSD) foram eleitos membros do Conselho Superior de Segurança Interna. De acordo com a Lei da Segurança Interna, este órgão é composto, entre outros, por dois deputados "designados pela Assembleia da República por maioria de dois terços dos deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções".
A nomeação para o cargo de alta confiança do primeiro--ministro, que preside o Conselho, surge numa altura em que todas as atenções estão viradas para Ricardo Rodrigues, depois de o deputado se ter envolvido na polémica com gravadores furtados a dois jornalistas da revista ‘Sábado’. E se, assim mesmo, dúvidas houvesse sobre a confiança do PS em Ricardo Rodrigues, o líder parlamentar do partido clarificou: "Conto com ele, o partido conta com ele e o País conta com ele", disse Francisco Assis, negando a intenção de afastar o deputado das funções.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) remeteu ontem para a Comissão da Carteira e Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas a apreciação das queixas dos jornalistas.
SAIBA MAIS
SEGURANÇA INTERNA

O Conselho Superior de Segurança Interna é o órgão interministerial de auscultação e consulta do primeiro-ministro em matéria de segurança interna.
2008
Cavaco Silva promulgou a nova Lei de Segurança Interna em Agosto de 2008, que muita polémica gerou com a criação de um ‘superpolícia’.

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2009 indica que se extraviaram três armas por dia, num total de 1095 extraviadas.
COMPOSIÇÃO
O Conselho Superior de Segurança Interna é composto, entre outros, pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, pelo comandante--geral da GNR, directores nacionais da PSP, da PJ e do SEF.
ASCENSO NOMEADO PARA ERSE
O ex-secretário de Estado e antigo deputado socialista Ascenso Simões foi ontem nomeado vogal do conselho de administração da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), durante a reunião de conselho de ministros.

Licenciado em Ciências Empresariais – Gestão e com uma pós-graduação em Gestão Pública, Ascenso Simões é membro da Comissão Nacional do PS, desempenhando ainda o cargo de presidente da Distrital de Vila Real do partido. Para além disso, o responsável está nos órgãos sociais de empresas ligadas ao sector energético: é presidente do conselho de administração da Tecaprod e administrador da Luzfisa. Na ERSE, Ascenso Simões irá ocupar o cargo de vogal, funções até então exercidas por Maria Margarida Aguiar e cujo mandato terminou em Julho de 2009.

in: jorrnal Correiro da manhã de 07-05-2010, edição Online

quinta-feira, maio 06, 2010

'Sérgio', o brasileiro com um sonho de paz, uma vida dedicada à Humanidade

Por causa do carisma que aliava à sua inabalável vontade política, dizia-se que ‘Sérgio’ era uma mistura entre o espião inglês James Bond e o norte-americano Bobby Kennedy. Mas, Sérgio Vieira de Mello era brasileiro: homem de sangue quente e sorriso fácil, revelou-se um dos mais notáveis diplomatas das Nações Unidas.
Quase sete anos depois da morte do diplomata, é esse o retrato que a cadeia norte-americana HBO quer evocar, quando emitir esta noite o documentário ‘Sérgio’ (trailer à esquerda), baseado na biografia ‘O homem que queria salvar o mundo’ da autoria de Samantha Power – e editada em Portugal pela Casa das Letras.

Com a capital iraquiana como cenário de fundo, o documentário revisita a missão de Sérgio Vieira de Mello em Bagdade, enquanto enviado especial do Secretário-Geral da ONU no Iraque - missão fatal para o brasileiro: foi em solo iraquiano que, a 19 de Agosto de 2003, Sérgio viria a ser assassinado pelos insurgentes, que o acusavam de servir os interesses da Administração Bush.

A uma semana do final da missão de Sérgio Vieira de Mello na capital iraquiana, um camião armadilhado explodiu junto ao edifício da ONU em Bagdade, muito próximo da janela do escritório do diplomata brasileiro. O ataque, reivindicado pela rede terrorista da Al-Qaeda, provocou dezenas de feridos e 21 mortos.

Uma das vítimas mortais seria mesmo o diplomata brasileiro: Sérgio Vieira de Melo foi ferido com gravidade, ficando aprisionado entre os escombros do edifício, depois de os seus 3 andares desabarem de uma só vez.

Um dado simbólico: depois de ter morto, Sérgio Vieira de Melo foi transportado para fora de Bagdade, num caixão coberto pela bandeira da ONU – um símbolo de uma vida inteira dedicada à organização. afinal, foi aos 21 anos, que o brasileiro começou a trabalhar para a organização, cumprindo ao todo 33 anos de serviço.

Chorado de Nova Iorque até Díli

Quando a notícia da sua morte foi difundida pela comunicação social, o mundo sofreu em silêncio: na sede da ONU, em Nova Iorque, todas as bandeiras foram retiradas - apenas a bandeira azul e branca da organização foi mantida a meia haste. O Secretário-Geral da ONU na altura, Kofi Annan, considerou a morte de Sérgio Vieira de Melo um ‘duro golpe’.

Definido pelos colegas das Nações Unidas como ‘uma estrela em ascensão’, era encarado como o mais provável sucessor de Kofi Annan – cargo para o qual viria a ser eleito o coreano Ban Ki-Moon em 2006.

A morte de Sérgio Vieira de Mello foi chorada também em Timor-Leste: afinal de contas, em 1999, foi o brasileiro quem conduziu os destinos do país durante o período de transição para a independência (à frente da Administração Transitória de Timor-Leste), abrindo caminho às primeiras eleições livres.

O maior sucesso da sua carreira diplomática? Talvez, diz ainda hoje a BBC. Também por isso, o Nobel da Paz José Ramos-Horta (hoje Presidente da República de Timor-Leste) classificou a morte de Sérgio Vieira de Mello como uma ‘tremenda perda’, que deixou o país de luto.


Uma carreira dedicada à Humanidade

De Dili, seguiu em 2002 para Genebra, onde tomou posse como Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos – um tema caro ao alto funcionário brasileiro, dado o longo currículo de trabalho humanitário nos mais desoladores cenários por todo o globo.

Ao serviço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (hoje liderado por António Guterres), Sérgio Vieira de Mello participou também em missões em regiões com graves situações humanitárias, desde o Cambodja, aos Balcãs, passando ainda pelo Ruanda, Sudão e Moçambique (por onde passou durante o período de guerra civil que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974).


Passados quase sete anos da sua morte, Sérgio Vieira de Melo é recordado pelo seu carácter pragmático, e também pela sua coragem. Afinal de contas, em cenários de risco, Sérgio mostrava-se sempre confiante: 'Deus é brasileiro', costumava dizer.



+ Saiba mais sobre Sérgio Vieira de Mello;

segunda-feira, maio 03, 2010

Dia da mãe (para a minha mãe- 30-03-1942 - 13-01-2010)

Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga


quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.


Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.


Mãe, na sua graça,
é eternidade.


Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?


Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:


Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'

quinta-feira, abril 29, 2010

Assédio Moral - um Grave Porblema, cada vez mais comum - DENUNCIE !

Assédio moral é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.


São mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização.

Por ser algo privado, a vítima precisa efetuar esforços dobrados para conseguir provar na justiça o que sofreu, mas é possível conseguir provas técnicas obtidas de documentos (atas de reunião, fichas de acompanhamento de desempenho, etc), além de testemunhas idôneas para falar sobre o assédio moral cometido.

Tipos de Assédio

Assédio Descendente

É o tipo mais comum de assédio, se dá de forma vertical, de cima (chefia) para baixo (subordinados).

Assédio Ascendente

Tipo mais raro de assédio, se dá de forma vertical, mas de baixo (subordinados) para cima (chefia). É mais difícil de acontecer pois geralmente é praticado por um grupo contra a chefia, já que dificilmente um subordinado isoladamente conseguiria desestabilizar um superior.

Assédio Paritário

Ocorre de forma horizontal, quando um grupo isola e assedia um membro - parceiro.

Fases

Primeira fase

É algo normal que nas empresas surjam conflitos devido à diferença de interesses. Devido a isto surgem problemas que podem solucionar-se de forma positiva através do diálogo ou que, pelo contrário, constituam o início de um problema mais profundo, dando-se isto na seguinte fase.

Segunda fase

Na segunda fase de assédio ou fase de estigmatização, o agressor põe em prática toda estratégia de humilhação de sua vítima, utilizando uma série de comportamentos perversos cuja finalidade é ridicularizar e isolar socialmente a vítima.

Nesta fase, a vítima não é capaz de crer no que está passando, e é freqüente que negue a evidência ante o resto do grupo a que pertence.

Terceira fase

Esta é a fase de intervenção da empresa, onde o que em princípio gera um conflito transcende à direcção da empresa.

Solução positiva: Quando a direcção da empresa realiza uma investigação exaustiva do conflito e se decide trocar o trabalhador ou o agressor de posto e se articulam mecanismos necessários para que não voltem a produzir o conflito.

Solução negativa: Que a direcção veja o trabalhador como o problema a combater, reparando em suas características pessoais distorcidas e manipuladas, tornando-se cúmplice do conflito.

Quarta fase

A quarta fase é chamada a fase de marginalização ou exclusão da vida laboral, e pode desembocar no abandono do trabalho por parte da vítima. Em casos mais extremos os trabalhadores acusados podem chegar ao suicídio.

Partes implicadas

O agressor

Olhando externamente é difícil identificar o agressor pois a imagem que projecta de si mesmo é sempre bastante positiva.

Geralmente os agressores (ou "assediadores") não centram suas forças em pessoas serviçais e/ou naqueles que são considerados partes do "grupo" de amigos. O que desencadeia sua agressividade e sua conduta é um receio pelos êxitos e méritos dos demais. Um sentimento de irritação rancorosa, que se desencadeia através da felicidade e vantagens que o outro possa ter.

O agressor tem claras suas limitações, deficiências e incompetência profissional, sendo consciente do perigo constante a que está submetido em sua carreira. É o conhecimento de sua própria realidade o que os leva a destroçar carreiras de outras pessoas. Pode-se somar o medo de perder determinados privilégios, e esta ambição empurra a eliminar drasticamente qualquer obstáculo que se interponha em seu caminho.

Ao falar de agressor tem que fazer uma distinção entre aqueles que colaboram com o comportamento agressivo de forma passiva e os que praticam a agressão de forma directa. É comum colegas de trabalho se aliarem ao agressor ou se calar diante dos fatos. Em geral, aquele que pratica o assédio moral tem o desejo de humilhar o outro ou de ter prazer em sentir a sensação de poder sobre os demais integrantes do grupo. Chegam a conceder concessões a possíveis adeptos para que se juntem ao grupo, fortalecendo o assédio moral ao profissional isolado. Alguns se unem porque igualmente gostam de abuso de poder e de humilhar, outros se unem por covardia e medo de perderem o emprego e outros por ambição e por competição aproveitam a situação para humilhar mais ainda a vítima.

Em geral, os assediadores provocam acções humilhantes ao profissional ou o cumprimento de tarefas absurdas e impossíveis de realizar, para gerar a ridicularização pública no ambiente de trabalho e a humilhação do assediado.

Outra estratégia utilizada pelos assediadores é denegrir a imagem do profissional com humilhações e restrições genéricas, em sua totalidade parciais e mentirosas. E para conseguir adeptos e ganhar força com a perseguição moral que perpetram, utilizam-se de armas psicológicas para angariar aliados, mesmo aqueles considerados inocentes úteis.

Na maioria dos casos, buscam forçar o profissional atingido a desistir do emprego.

Aquele que faz o assédio moral pode ter desejo de abuso de poder para se sentir mais forte do que realmente é, ou de humilhar a vítima com exigências absurdas. Alguns inclusive são sádicos e provocam outras violências além da moral.

Características próprias de pessoas narcisistas:

• Ideia grandiosa de sua própria importância.

• Fantasias ilimitadas de êxito e poder.

• Necessidade excessiva de ser admirado.

• Atitudes e comportamentos arrogantes.

É importante ressaltar que alguns chefes se tornam agressores a trabalhadores por serem constantemente pressionados pelas empresas para se cumprir determinadas metas. Neste caso, o problema de assédio moral é um problema estrutural da empresa.

A vítima

Não existe um perfil psicológico determinado que predisponha a uma pessoa a ser vítima de assédio moral, qualquer um pode ser objecto deste acaso.

Aos olhos do agressor, a vítima é uma pessoa inconformista, que graças a sua preparação ou sua inteligência questiona sistematicamente os métodos e fórmulas de organização do trabalho que lhe vem imposto. Vale salientar que diminuir ou criticar é colocar o outro em situação de inferioridade. Fazer propaganda contra alguém é mais fácil se essa pessoa possui características que o preconceito de cor, sexo, ideologia ou classe social reforça como inferioridade.

Embora não haja um perfil psicológico, há casos de assédios contra trabalhadores com altos salários que são ameaçados de substituição por outros com menores salários e trabalhadores que são representantes de sindicatos e associações.

domingo, abril 25, 2010

Sondagem no Sapo

Assinalam-se hoje os 36 anos do 25 de Abril de 1974. Acha que o país precisa de uma nova revolução?




Sem dúvida: 11311
(68%)

Talvez: 2857
(17%)

Não: 2390(14%)

«Portugal precisa de um novo 25 de Abril»

O presidente da associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, defendeu, no sábado, num jantar comemorativo da revolução, em Almada, que Portugal «precisa de um novo 25 de Abril pela justiça social».
O capitão de Abril afirmou que «é necessário que em Portugal se acabe com o esquema terrível de compadrio, com a impunidade perante situações de corrupção e com o mau funcionamento da Justiça».
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril», vincou, em declarações à Lusa.
Para Vasco Lourenço, «comemorar a Revolução é invocar, acima de tudo, a grande esperança que os portugueses tiveram naquela altura por um país melhor, mais desenvolvido, mais igualitário, mais justo, mais livre, e reafirmar teimosamente a nossa vontade em lutar por esses ideais, por mais difícil que isso possa parecer».

«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?», disse perante uma sala com mais de 700 pessoas.



O militar esclareceu, contudo, que não se refere a uma «ruptura violenta», antes a um «apelo à pressão sobre os responsáveis políticos para que estas situações se alterem». «É necessário que os eleitos não se esqueçam dos eleitores», defendeu.

A luta, disse, tem que travar-se também nos programas curriculares da história que contamos às gerações que nasceram já depois da liberdade: «Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»


Sondagem do sapo

Assinalam-se hoje os 36 anos do 25 de Abril de 1974. Acha que o país precisa de uma nova revolução?



Sem dúvida: 5925
(68%)

Talvez: 1530
(18%)

Não: 1239

(14%)

 
Para reflexão...

sexta-feira, abril 02, 2010

Patrões têm qualificações inferiores às dos trabalhadores

Os empresários portugueses apresentam uma média de habilitações literárias inferior à dos trabalhadores, noticia esta sexta-feira o jornal Público com base em números do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Apenas 9% dos patrões possuem uma licenciatura, valor que compara com os 18% dos trabalhadores que têm este grau académico.

As habilitações dos empregados portugueses distribuíam-se da seguinte forma: 65% possuía baixas qualificações (ensino primário ou secundário inferior), 16% tinham o secundário superior e 18% possuíam licenciatura.

Entre os empresários, 81% apresentavam baixas qualificações, 10% possuíam o secundário superior e apenas 9% concluíram o ensino superior.

Por comparação, em Espanha os trabalhadores com licenciatura ascendiam a 37%, acima da média da União Europeia (29%).

Os empregados espanhóis com baixas qualificações eram 40%, acima dos 21% de média europeia.

No que toca aos empresários espanhóis, 28% possuíam formação superior, um ponto percentual acima da média da UE.



terça-feira, março 16, 2010

AI ESTE CANDIDATO...

In: http://economico.sapo.pt/noticias/passos-coelho-quer-uma-entrada-por-cada-5-saidas-na-funcao-publica_84298.html


Económico.TV

“Passos Coelho quer uma entrada por cada 5 saídas na Função Pública”

Eudora Ribeiro com fotos de Paulo Alexandre Coelho

16/03/10 17:50


Este tipo de discursos e de medidas, são várias coisas, senão vejamos: todos os políticos prometem e apresentam como solução de todos os males a função pública; uns dizem 1 vs 3, 1 vs 4, 1 vs 5 etc., podia enumerar outras, mas estou cansado demais, mas resumindo, é IGNORANCIA.

Alguém dizer/prometer esta solução milagrosa é uma demonstração clara de DESCONHECIMENTO TOTAL do sector Função publica - Recursos Humanos, quanto a mim, que levo 15 anos como funcionário (pago TODOS os impostos que o Estado entende, NÃO recebo prémio, etc), quanto a mim, os problemas GENERICOS são:

1 - FALTA DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS;

2 - A QUANTIDADE DE BOYS (PS e PSD) QUE OCUPAM POSIÇÕES A GANHAR FORTUNAS SEM FAZEREM NADA PARA AS MERECER, E MUITAS VEZES FAZEM SÓ MERDA;

3 - CHEFIAS, NÃO POR MÉRITO, NEM POR COMPETENCIA, O QUE LEVA À IMCOMPETENCIA;

4 - FALTA DE RESPONSABILIZAÇÃO DESSAS CHEFIAS (HIERARQUIAS, TAPAM-SE UMAS ÀS OUTRAS);

5 - DESMOTIVAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS, PELO TRATAMENTO QUE TEM TIDO PELOS SUCESSIVOS GOVERNOS;

6 - FALTA DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL (DEVIA DE SER CONTINUA E REALMENTE IMPORTANTE, não como acontece nalguns serviços que é só para encher chouriços, gastar dinheiro);

7 - AVALIAÇÃO, HONESTA, E RECONHECIMENTO DO ESFORÇO, DEDICAÇÃO DO FUNCIONÁRIO.



Por certo haverá mais motivos e medidas sérias a aplicar.



O Pedro P. Coelho, diz duas bem, logo de seguida estraga tudo, Veja, por mero exemplo o pedido de perdão feito ao Alberto João Jardim. Parece que está muito mal acompanhado mas ainda vai a tempo de arrepiar caminho, ele que não oiça o que o Fernando Costa disse, que vai ver a onde vai acabar.

QUALIDADE DE VIDA

Qualidade de vida



Isto sim



QUALIDADE DE VIDA DO RENDIMENTO MINIMO





Qualidade de vida é receber 800 € mensais (ou mais) para não fazer nada.

Qualidade de vida é levantar á hora que se quer porque os outros
trabalham para ele.

Qualidade de vida, é ter como única preocupação escolher a pastelaria onde vai tomar o pequeno-almoço e fumar as suas cigarradas, pagos com os impostos dos outros.

 
Qualidade de vida é ter uma casa paga pelos impostos dos outros, cuja manutenção é paga pelos impostos dos outros, é não ter preocupações com o condomínio, com o IMI, com SPREAD´S, com taxas de juro, com declaração de IRS.

 
Qualidade de vida é ter tempo para levar os filhos á escola, é ter tempo para ir buscar os filhos á escola, é poder (não significa querer) ter todo o tempo do mundo para acarinhar, apoiar, educar e estar na companhia dos seus filhos.

 
Qualidade de vida é não correr o risco de chegar a casa irritado, porque o dia de trabalho não correu muito bem e por isso não ter a paciência necessária para apoiar os filhos nos trabalhos da escola.

 
Qualidade de vida é não ter que pagar 250€ de mensalidade de infantário, porque mais uma vez é pago pelos impostos dos outros.

 
Qualidade de vida, é ainda receber gratuitamente e pago com os impostos dos que trabalham o computador Magalhães que de seguida vai vender na feira de Custóias e noutras, é receber gratuitamente todo o material didáctico necessário para o ano escolar dos seus filhos, e ainda achar que é pouco.

 
Qualidade de vida é ter as ditas instituições de solidariedade social, que se preocupam em angariar alimentos doados pelos que pagam impostos, para lhos levar a casa, porque, qualidade de vida é também nem se quer se dar ao trabalho de os ir buscar.

 
Qualidade de vida é não ter preocupação nenhuma excepto, saber o dia em que chega o carteiro com o cheque do rendimento mínimo.

 
Qualidade de vida é poder sentar no sofá sempre que lhe apetece e dizer “ TRABALHAI OTÁRIOS QUE EU PRECISO DE SER SUSTENTADO”.

 
Qualidade de vida é não ter despesas quase nenhumas, e por isso ter mais dinheiro disponível durante o mês, do que os tais OTÀRIOS que trabalham para ele.

Qualidade de vida é ainda ter tempo disponível para GAMAR uns auto-rádios, GAMAR uns carritos e ALIVIAR umas residências desses OTÀRIOS que estão ocupados a trabalhar OU ASSALTAR uma ourivesaria.

 Qualidade de vida é ter tudo isto, e ainda ter uma CAMBADA DE HIPÓCRITAS a defende-lo todos os dias nos tribunais, na televisão, nos jornais.

Isto sim, isto é qualidade de vida.

Ass: UM OTÁRIO



domingo, março 07, 2010

PSD: Menezes desafia Marcelo a ter coragem "uma vez na vida"

PSD: Menezes desafia Marcelo a ter coragem "uma vez na vida" e avançar à liderança do partido


07 de Março de 2010, 18:39

Porto, 07 mar (Lusa) - Luís Filipe Menezes desafiou hoje Marcelo Rebelo de Sousa a ter coragem "por uma vez na vida" e candidatar-se à liderança do PSD para ver se "tem tanto apoio como político como tem enquanto entertainer".



Reagindo aos apelos de "históricos" do PSD como Marques Mendes e Alberto João Jardim, que desafiaram os três atuais candidatos à liderança do PSD a desistir a favor de Marcelo, Menezes disse não acreditar nessa possibilidade.



"Para já, não acredito que nenhum dos candidatos desista. Seria o mesmo que pedir a Santa Maria Adelaide que desista a favor de nossa senhora de Fátima", afirmou.






segunda-feira, março 01, 2010



Greve dia 4 de Março



A população em geral, os cidadãos e as empresas que recorrem à Justiça, não podem deixar de considerar a nossa luta justa e, a única forma que nos resta, no quadro Constitucional vigente, para colectivamente lutarmos contra a total insensibilidade, até ao momento, por parte do Governo, a todas as propostas apresentadas.

 
Caro concidadão é importante que saiba que os Oficiais de Justiça são profissionais altamente qualificados e que, há mais de 10 anos aguardam o reconhecimento e a valorização da sua carreira.

Profissionais, altamente qualificados, que este Governo tem, até ao momento, desconsiderado.

 
A forma de luta agora adoptada, não nos é grata, mas todos juntos, consigo do nosso lado, será possível levar o Governo a inverter a sua posição e criarmos as condições para que o diálogo social possa ser materializado, dando corpo a uma valorização que aumentará significativamente os níveis de motivação destes profissionais.

 
Aos Oficiais de Justiça, que ainda não decidiram, cumpre dizer-lhe que os Sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, tem-se reunido com o Ministério das Finanças, no âmbito das Negociação Geral para 2010.

 
Das matérias em discussão, estavam entre outras a “Revisão das carreiras especiais, no contexto do artigo 18º da Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2010”

É evidente que, porque estamos na negociação e assumimos as nossas responsabilidades temos obrigação de saber que esta questão está directamente relacionando com as alterações ao nosso Estatuto sócio-profissional. Daqui resulta claro, que qualquer negociação sectorial, só poderá ser efectivada depois de definida esta questão.

Esta é a verdade.

Mas, para lá desta, outras matérias assumem relevância e afectam directamente os Oficiais de Justiça, como por exemplo: Aposentação, Matérias Salariais, Suplementos Remuneratórios e até de Subsidio de Alimentação ou ADSE.

 
Perante estes factos e a posição do Governo, os Sindicatos, assumem as suas responsabilidades e dando corpo a uma profunda indignação, subscrevem o Aviso Prévio apresentado pela Frente Sindical da Administração Pública, de forma assumida.



sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Que vai fazer Pedro Santana Lopes no congresso extraordinário do PSD?

Que vai fazer Pedro Santana Lopes no congresso extraordinário do PSD?

Esta é a pergunta de muitos sociais-democratas, sabendo que foi o próprio ex-líder laranja que forçou a marcação da reunião magna dos próximos dias 13 e 14 de Março. O i sabe que três cenários estão a ser ponderados por Santana Lopes. Apoiar José Pedro Aguiar-Branco ou Paulo Rangel, mas nunca Pedro Passos Coelho, é um deles. Segundo cenário: uma candidatura de última hora, o que não é para já uma vontade expressa pelo próprio. Por último, Santana Lopes pode resolver concretizar uma ameaça antiga saindo do PSD e criando um novo partido.

"O congresso extraordinário foi confirmado. Tanto trabalho que deu, a tanta gente, tentar impedi-lo, tanta invenção, tanta oposição" - estas linhas foram escritas por Santana Lopes no seu blogue (pedrosantanalopes.blogspot.com) no passado dia 13 de Fevereiro. "Agora começa outra fase. Com a mesma serenidade", acrescentou. É esta nova fase que faz tremer as três principais candidaturas social-democratas.

A candidatura de Pedro Passos Coelho sabe que não irá contar com o apoio do ex-líder do PSD e que Santana hesita entre José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel, com larga vantagem para o actual líder parlamentar. Santana tem elogiado em público aquele que foi o seu ministro da Justiça durante o governo que chefiou depois da saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia.

Na sexta-feira passada, por exemplo, de novo no blogue, Santana mostrou-se satisfeito por "já terem surgido candidaturas antes do Congresso" e concordou com o líder da bancada parlamentar laranja: "Como diz Aguiar-Branco, poderá ficar mais claro aquele que poderá ser, no futuro, o modelo estatutário que ligue Congresso e Directas."


Por outro lado, Santana Lopes confessou recentemente a um apoiante próximo que ainda não decidiu se avança com nova candidatura à liderança do PSD. "É um hipótese que não está excluída, mas para a qual não está inclinado", diz-nos fonte próxima do ex-líder social-democrata. Esta possibilidade choca com o facto de alguns santanistas, como é caso de Pedro Pinto, já estarem a apoiar um ou outro candidato - no caso, Passos Coelho. Choca também com a necessidade de percorrer o país e angariar apoios das distritais em apenas duas semanas, face ao trabalho de "caciquismo" que já foi feito pelas três candidaturas no terreno.

O cenário de sair do partido para fundar um novo já foi falado em conversas com apoiantes. É aliás uma ameaça antiga de Santana Lopes, reiterada a 18 de Dezembro de 2009 na sua coluna do semanário "Sol". Na altura, quando começou a exigir um congresso extraordinário antes das directas, escreveu: "Se eu sair do PSD, não volto." O ex-primeiro ministro considerou ainda que "o PPD/PSD está sem causas" e "está a ir atrás daqueles que há anos tudo fazem para destabilizar e minar os alicerces da sociedade e do Estado".

Na altura, contra a opinião de muitos, incluindo a vontade de Passos Coelho, um dos principais a opor-se a esta solução, disse que iria reunir 2500 assinaturas e convocar um congresso, deixando cenários em aberto: "Ponderei várias possibilidades, há muito tempo, mas na vida de cada um de nós tudo devemos fazer para as coisas terem sentido." A ameaça continua em cima da mesa. Fazer apostas torna-se arriscado perante a imprevisibilidade do antigo primeiro- -ministro. O i perguntou ao próprio qual dos cenários é mais provável, mas Santana não quis responder.

publicado no jornal I de 26-02-2010.

domingo, fevereiro 21, 2010

Presidenciais: Fernando Nobre defende que Face Oculta "merece ser esclarecido até à exaustão"

Presidenciais: Fernando Nobre defende que Face Oculta "merece ser esclarecido até à exaustão"


21 de Fevereiro de 2010, 17:57


Lisboa, 21 fev (Lusa)- Fernando Nobre defendeu hoje que o caso Face Oculta "merece ser esclarecido até à exaustão", adiantando que se estivesse no lugar de Cavaco teria chamado a Belém o Procurador-Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

"Sou um cidadão que tem lido o que sai nos jornais, o que nem é sempre a verdade e podem ser meias verdades, agora o que eu acho é que o senhor primeiro ministro, que é um ser muito frontal, tem de dizer ao país tudo aquilo que pensa", afirmou, em entrevista à agência Lusa, o candidato à Presidência da República.

Fernando Nobre adiantou que caso fosse chefe de Estado "teria chamado o senhor PGR, o senhor presidente do STJ" e "ter-lhes-ia falado bem olhos nos olhos", admitindo contudo que, "provavelmente" o presidente Cavaco Silva - de quem disse ter "uma imagem de seriedade e dignidade" -, "tê-lo-á feito".



O que devo ser quando for grande?

CLÁUDIA LUÍS, CLAUDIALUIS@JN.PT

No futuro, serão necessários mais técnicos especializados e legisladores do que agricultores e artesãos. E a maioria dos novos empregos deverá ser criada em áreas que exijam um conhecimento altamente qualificado.



Quanto às profissões que requerem menores habilitações, a tendência é de queda progressiva. Estima-se que, na próxima década, um total de cerca de 80 milhões de oportunidades de trabalho serão geradas nos países da União Europeia: 73 milhões serão de vagas deixadas por reformados e por mudanças profissionais. E sete milhões dirão respeito a novos empregos, diz o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional. Mas estará o mercado preparado para absorver todos os activos muito qualificados? E como devem as universidades formar para as profissões do futuro?



Entre os licenciados portugueses, a taxa de desemprego tem vindo a diminuir. No último trimestre do ano passado, a percentagem de desempregados com habilitações superiores era de 9,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Cenário que antecipa a tendência europeia e vai ao encontro das previsões do estudo do Centro Europeu, que indica maior empregabilidade entre os mais qualificados.



Contudo, e ainda que "o excesso de qualificação formal não seja um problema per se", a aplicação dessas competências é um "problema potencial", alerta o Centro Europeu, uma vez que os postos de trabalho criados pelo mercado podem ser insuficientes ou desadequados aos cursos das universidades. Além do receio do subaproveitamento de conhecimento, teme-se a desvalorização de saberes tradicionais das profissões manuais para as quais não é essencial a passagem pelas universidades.





Para ser alguém na vida



Chega a hora da conversa sobre "ser alguém na vida" e todos ouvirão os mesmos contraditórios conselhos acerca do valor absoluto e, ao mesmo tempo, incerto de um diploma académico. A conversa termina, invariavelmente, com um apelo a um "curso com saídas profissionais". Implacáveis, os números dizem que há 55 mil desempregados licenciados em Portugal, segundo dados do INE do último trimestre de 2009. Mesmo assim, o futuro será sempre dos mais qualificados. Quem avisa é um organismo da Comissão Europeia.



As Ciências Empresariais asseguram a maior percentagem dessa tipologia de desemprego (19,8%), segundo estudos de Junho passado. Já as Ciências Sociais seguem, de perto, a tendência, representando 12,8% dos desempregados com habilitações superiores, informa o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.



Hoje, há 3786 cursos no Ensino Público, Privado e Politécnico. Mas, segundo a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, há 330 pedidos de acreditação de novos cursos. Ainda assim, o número desceu consideravelmente em relação aos 900 pedidos de acreditação registados no ano passado.



Cumprindo critérios que o Centro Europeu aponta como determinantes para o futuro das profissões, a acreditação de cursos passa, também, pela empregabilidade, mobilidade internacional, corpo docente, investigação, instalações e número de alunos.



Segundo o sociólogo José Manuel Leite Viegas, "a área da Saúde, que pressupõe sectores muito qualificados - como é o caso de especialidades muito complexas ou tecnológicas -, será alvo de procura crescente". De facto, as áreas de estudo ligadas à Saúde são das que menos desemprego qualificado geraram: em Junho de 2009, era de 5,6%, segundo o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério.



Aquele mesmo organismo conclui que os serviços de transporte (0,1%), de segurança (0,2%) e as áreas de Matemática e Estatística (0,5%) tinham a menor percentagem de pessoas com habilitações superiores inscritos em centros de emprego.



Que esperar do Ensino Superior?



"No contexto da globalização e flexibilidade das economias e sociedades, as tendências de transformação do mercado de trabalho não podem deixar de afectar as políticas do Ensino Superior", começa por considerar a socióloga Ana Paula Marques. Nesse sentido, a investigadora da Universidade do Minho refere a "expansão e massificação" do Ensino Superior como exemplos de "mudanças persistentes" ocorridas nos últimos anos.



A transmissão de conhecimentos e competências que possam ser aplicados ao mercado de trabalho é uma expectativa legítima a atribuir ao Ensino Superior, lembrou a socióloga. A "promoção de estágios ao longo da licenciatura", assim como "avaliações regulares da licenciatura ao mercado de trabalho" são exemplos de iniciativas apontadas nesse âmbito.



Da mesma forma, o cultivo da "cooperação com as empresas da região", a aposta na "formação extracurricular" e no "empreendedorismo académico" são exemplos de medidas a adoptar. Contudo, Ana Paula Marques ressalva que não é competência exclusiva das universidades adaptar a formação ao mercado de trabalho, defendendo parcerias de universidades e agentes económicos em diversas áreas. "As empresas terão também de se co-responsabilizar pela formação e inovação de conhecimentos dos seus activos".



No mesmo sentido, o sociólogo José Manuel Leite Viegas afirma que "não são só as universidades que têm que adaptar-se: elas também criam espaço para o desenvolvimento de áreas específicas, sectores profissionais articulados com o mundo empresarial". O docente do ISCTE lembra que "há microempresas criadas a partir de ideias nascidas na investigação académica".



A colaboração entre os departamentos de investigação universitários e as empresas "é uma realidade que já se verifica, havendo, naturalmente, empresas que não estão interessadas em investir nessa área", comenta. De resto, um dos motivos que poderá contribuir para explicar "alguma quebra de financiamento de cursos por parte das empresas é a crise financeira".



Segundo o docente, "a formação é, sobretudo, procurada a nível individual", o que denota uma aposta pessoal na qualificação e no conhecimento. Mas a orientação das universidades para o mundo das profissões é algo que também "se constata", até através de indicadores como "o regime pós-laboral de muitas pós-graduações e mestrados que não são de continuidade".



Conhecimento sem afectos vale menos



Nas últimas décadas, "a correspondência do diploma ao emprego é cada vez mais a excepção". O conhecimento apreendido nas universidades pode não enquadrar-se no mercado de trabalho. Os estudantes deparam-se, muitas vezes, com profissões que não tiram proveito da sua formação ou descobrem que as licenciaturas não os prepararam devidamente para a vida profissional.



Mas passará a empregabilidade, exclusivamente, pelo investimento no conhecimento? Para a socióloga da Universidade do Minho não, já que "o sucesso profissional não depende apenas do conhecimento". "Atitudes, valores e outras dimensões não cognitivas", como é o caso das características "afectivas e emocionais", também contribuem para arranjar e manter o emprego.



Então, pode a ditadura do mercado profissional vedar o acesso à formação de áreas do saber como a Filosofia?



Na perspectiva de José Manuel Leite Viegas, não devem tratar-se de áreas incompatíveis, até porque "os países com uma dinâmica de mercado forte e muito prática valorizam áreas como a Filosofia. Trata-se da primeira área de formação, o ponto de partida para a prática empresarial, por exemplo".



Além disso, "a Filosofia carece de um complemento e o próprio indivíduo necessita de racionalidade e conhecimento do Mundo em qualquer área do saber".



Profissões tradicionais, que futuro?



No universo dos saberes tradicionais e actividades manuais - de que são exemplo artesãos, agricultores e padeiros -, a tendência dos próximos dez anos será, estima o Centro Europeu, uma quebra acentuada no mercado de trabalho. Trata-se de uma previsão que "quantitativamente pode acontecer", diz o sociólogo do ISCTE, mas, "ao nível qualitativo, a tendência será mais no sentido da evolução dessas profissões. Não deixaremos de comer pão" - exemplifica.



"O processo de o fazer é que pode evoluir para uma mão-de-obra mais qualificada ou visando uma produção de carácter massivo", acrescenta. Nesse sentido, importa defender as "qualificações, sim, mas com aplicação às profissões tradicionais", conclui.



sábado, fevereiro 20, 2010

Avaliação em Cidadania Avançada ... por MÁRIO CRESPO

Diferenças

Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada.
Não temos em Portugal nada que se lhe compare.
Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça.
O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos.

Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público.
Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.

Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça.
Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.

Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente.
Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira.
Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas.
É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Candidato à Presidencia da Republica

Entrevista a Fernando Nobre, candidato à Presidência, Presidente da Ami e autor de "Humanidade"
ENTREVISTA FERNANDO NOBRE Presidente da AMI
"Ser líder é ter deveres. Não é ter direitos"

Por Mafalda de Avelar, a 16 de Janeiro 2010, para o Diário Económico

O homem que não conhece apenas as realidades que descreve, sente-as
NOVO LIVRO RESUME A VISÃO DE
FERNANDO NOBRE SOBRE O MUNDO.

Temos que despertar para a cidadania global solidária é a grande mensagem de " Humanidade ", no novo livro de Fernando Nobre , Presidente da Assistência Médica Internacional (AMI). Participante activo da nossa sociedade, este médico, doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, fala das inquietudes da nossa sociedade e das mudanças necessárias para termos um mundo melhor. Utópico? Muito pouco. Ser prático está lhe no sangue, que se quer a fluir rápido quando catástrofes como a que o mundo viveu esta semana no Haiti acontecem. A AMI, diz Fernando Nobre , vai enviar 10 pessoas para ajudar. "Dinheiro para comprar cloro e medicamentos, nos países vizinhos, é o que precisamos mais. Alimentos e roupas têm um custo de transporte grande."


Este livro agora. Porquê?

Por um lado: há 30 anos que ando no terreno, a AMI faz 25 anos, tenho escrito outros livros, a falar das minhas viagens, dos meus gritos e das minhas imagens; por outro, no meu blog algumas pessoas interpelam-me para me perguntar "porque é que não nos diz um pouco mais claramente o que pensa?". Por tudo isso escrevi este livro, onde tentei estruturar algo que me permitisse responder às várias questões que as pessoas me colocam e também estruturar o meu pensamento sobre aquilo que considero serem os grandes desafios, as grandes ameaças e as esperanças para a humanidade . E já agora também para falar dos grandes desafios nacionais porque, como todo o português que se preze, também ando preocupado com o nosso país - assim como ando com a humanidade . Foi uma maneira de fazer o meu testamento filosófico e político (embora não partidário) antes de tempo. E assim surgiu este livro escrito durante as férias.

Qual a maior inquietude que sente na sociedade?
Eu acho que são as questões sociais, embora comecem a disputar as questões ambientais e éticas - dai falar (no livro) da questão da espiritualidade. (…) A espiritualidade é uma das interpelações que mais frequentemente me fazem e que mais tem transparecido nos contactos que faço na rua, nos cafés, no comboio,
Em termos de aspectos sociais - e com o desemprego a dois dígitos - como é que define esta inquietude social?
É extremamente legítima até porque nós sabemos todos que poderíamos estar além dos dois dígitos se não tivéssemos a viver uma nova onde migratória. (…) Nós sabemos que a questão financeira, económica e social está por resolver. Há um ano, quando estávamos no auge da crise, falava se da necessidade de maior regulamentação, fiscalização (…), enfim moderação nos salários, nos bónus, nos produtos financeiros. Todo esse discurso desapareceu como se não tivesse acontecido nada. Eu acho que o mundo após esta crise é um mundo que exige mudança e há que ter a coragem no mundo político global - e nacional também - para exigir aos intervenientes económicos e financeiros mudanças de atitude e de comportamento. Temos que assumir que isso não se volte a repetir. Como isto está a ser conduzido nada está garantido. Neste livro tento apelar ao extremo bom senso, ao mudar de algumas atitudes e a que os líderes entendem, de uma vez por todas, que ser líder é ter deveres. Não é ter direitos. Se assim não entendermos o que aconteceu há um ano vai se repetir e a humanidade pagará um preço muito mais elevado do que aquele que está a pagar.

A maior ênfase deste livro?

A questão da cidadania global solidária. A democracia representativa pode ser aperfeiçoada com uma quota parte de democracia participativa. (…)É a minha verdade, não é absoluta mas é aquela que eu acredito que devo exprimir porque a minha idade e a minha vivência global dá-me o dever de o fazer. Senti também o imperativo de escrever o que escrevi com toda a frontalidade. Escrevi aquilo que penso. A menos que mudemos de paradigma, de comportamento humano e de sociedade acho que está lá exactamente aquilo que sinto. Este livro é apenas isso.


Excertos do livro

espiritualidade

"Só ela, a espiritualidade, nos permitirá, com «os pés no chão e a mente no rodopio das galáxias», vencer os desafios globais que descrevo na Primeira Parte do presente livro e outras que venham a surgir e implementar as soluções as soluções esperançosas que descrevo na Segunda Parte, terminando pela mais esperançosa de todas: a espiritualidade global fraterna."

"Temos que apostar nos valores universais, tais como o amor, a ética, a equidade, a justiça, a tolerância, o perdão, a solidariedade, a fraternidade, a dignidade, a honra e o civismo…sem os quais nada será possível, nomeadamente o restabelecimento da insubstituível e indispensável confiança entre os cidadãos, o Estado e o mercado. Isso também é espiritualidade …"
democracia
Uma certeza tenho: a democracia, que em todas as minha conferencias comparo a uma papoila, não é perene.
Ela terá de resistir, de se adaptar às mudanças ou de morrer, transitoriamente, até que o sopro da liberdade lhe volte a dar vida.


migrações
As migrações internacionais são, para uns, um grande desafio e, para outros, infelizmente, uma grande ameaça… Façamos das migrações uma enorme oportunidade para a paz no Mundo e para o combate à pobreza, essa sim uma grande ameaça global.

PERFIL
O seu percurso de vida traça o seu perfil. Nasceu em Luanda, com 13 anos mudou-se para o Congo e com 16 para Bruxelas, capital onde estudou e residiu até 1985. Nesse ano veio para Portugal. Doutorado em Medicina é especialista em Cirurgia Geral e Urologia. É ainda professor catedrático e Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Mais conhecido entre nós por ter fundado em Portugal a Assistência Médica Internacional (AMI) entidade que preside, foi administrador dos Médicos sem Fronteiras na Bélgica. É membro de inúmeras organizações internacionais de renome, recebeu várias distinções - entre elas a Medalha de Ouro para os Direitos Humanos - e é reconhecido por todos como um homem de causas. Um homem que não conhece apenas as realidades que descreve, sente-as.
NATUARALMENTE, FERNANDO NOBRE TEM TODO O MEU APOIO, PARTILHO DAS SUAS IDEIAS E VALORES, SABENDO QUE TENHO UM LONGO CAMINHO PARA PERCORRER.